Pedreira do Ingá, na Posse, pode sofrer novos descolamentos de rocha, aponta laudo

Na manhã dessa quarta-feira (23), geólogos do Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ) vistoriaram o local onde houve o deslizamento de rochas, na região do Ingá, no distrito da Posse. Segundo o laudo técnico, o fenômeno é natural, podendo ocorrer em virtude da variação térmica e da ação do vento e da água. 

Após a análise, o DRM-RJ manteve a interdição das moradias e afirmou que o processo de descolamento das placas é contínuo, por isso, a área está suscetível a novas quedas de rochas. 

O secretário estadual das Cidades, Juarez Fialho, também visitou a área ontem, acompanhado do prefeito Bernardo Rossi. Na visita, o secretário disse que levará a situação da Posse para o governador do Estado, Wilson Witzel. “O apoio do DRM-RJ também é importante para essa avaliação técnica”, disse Juarez Filho. 

A área onde ocorreu o deslizamento era considerada de risco e estava incluída no Plano Municipal de Redução de Riscos. “São locais que ficam muito perto de maciços rochosos, que estão sujeitos a ocorrências como esta. A avaliação dos nossos técnicos e o laudo do DRM vai nos ajudar a programar quais serão as ações que serão feitas aqui na região”, explicou o secretário de Defesa Civil, Paulo Renato Vaz.

De acordo com o secretário, a área do Ingá não estava incluída nos projetos de contenção de encostas apresentados em Brasília. Mas ressaltou que o Ministério do Desenvolvimento Regional foi acionado e que técnicos devem visitar a região esta semana para avaliação dos danos. 

Segundo os técnicos da Defesa Civil, do ponto do desplacamento até o pé da pedreira são cerca de 100 metros. Já as pedras e rochas se deslocaram cerca de 90 metros da base da encosta até as casas e ruas. Algumas rochas chegam a pesar 60 toneladas. A Defesa Civil chegou a interditar as moradias em um raio de 500 metros. Ao todo, seis casas foram destruídas e 40 famílias tiveram suas casas interditadas. 

Moradores vasculham escombros em busca de documentos e objetos pessoais

Os moradores das seis casas destruídas pelo deslizamento de pedras na Posse passaram a manhã de quarta-feira (23) vasculhando os escombros em busca de documentos e objetos pessoais. Nos imóveis que ainda estavam de pé, os moradores faziam a mudança dos móveis que puderam ser recuperados. O deslocamento aconteceu na tarde da última terça-feira (22) e felizmente ninguém ficou ferido.

“A gente sai de casa achando que na volta vai encontrar tudo no lugar, aí se depara com a sua casa no chão. A sensação é de incapacidade”, lamentou Flávia dos Santos Branco, de 38 anos. A residência dela foi totalmente destruída pelas rochas que desceram da pedreira. “Não sobrou nada”, disse. Um dia depois do incidente, ela e o marido vasculhavam os escombros em busca do documento da filha, de um ano e três meses. “Graças a Deus não estávamos em casa quando tudo aconteceu. Minha filha estava bem longe daqui”, comentou.

Flávia contou que os dois saíram de casa por volta das 5h da manhã para irem para o trabalho. Durante a madrugada, o casal chegou a ouvir estrondos na pedreira. “De meia em meia hora escutávamos um estalo. À tarde, estava no trabalho quando falaram que as pedras rolaram nas casas. De onde trabalho consigo ver a pedreira, vi o estrago de longe e na hora pensei: não tenho mais minha casa”, contou.

A residência de Flávia é própria e o casal já se cadastrou na Secretaria de Assistência Social, com o objetivo de conseguir o aluguel social. Enquanto o benefício não é concedido, a família está morando em casa de parentes. “Minha família está viva, isso que importa. Perdemos tudo, não tenho mais nada, mas minha filha está aqui”, disse o marido de Flávia, enquanto vasculhava os escombros.

A casa de Netânia Morelli Silva, de 54 anos, também foi atingida pelas pedras. A parte dos fundos ficou destruída. “Estava cozinhando quando ouvimos um barulho forte. Um tempo depois, meu marido, que estava do lado de fora, na garagem, falou que a pedreira estava estalando forte e que algo poderia acontecer. No terceiro estalo, ele gritou: corre que está caindo. Do jeito que estava eu saí. Foi muita sorte ninguém se ferir”, disse.

Ela e o marido moram na região há 30 anos. Ele conta que nunca imaginou que pudesse ocorrer deslizamentos. “A gente não pensa nisso. Agora é hora de recomeçar”, disse Carlos Nunes da Silva, de 58 anos, carregando a mudança da família. Desde o deslizamento, eles estão morando na casa de parentes, na cidade de São José do Vale do Rio Preto. 

De acordo com a Secretaria de Assistência Social, 15 famílias já estão cadastradas – 39 pessoas – e três famílias serão incluídas no programa de Aluguel Social. Segundo a secretária Denise Quintela, o levantamento na região continua sendo feito. “Algumas pessoas tinham casa própria, outras moravam de aluguel. Estamos analisando caso a caso”, explicou. Denise disse ainda que estão à disposição dos moradores cestas básicas, kits de higiene pessoal, além de lençóis e colchões.

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