Valor da conta de água aumenta mais de 18% e revolta moradores de Santa Rita do Passa Quatro | São Carlos e Araraquara

Moradores de Santa Rita de Passa Quatro (SP) reclamam do aumento no valor da conta de água que, em alguns casos, chegou a dobrar e menos de dois meses.

Inconformados com cobrança, consumidores ouvidos pelo G1 contaram que procuraram a Companhia Água de Santa Rita (Comasa). Segundo eles, a empresa alegou aumento de consumo ou vazamentos. Os moradores, entretanto, disseram não ser esse o problema.

A Comasa informou que, desde1º de janeiro de 2019, está vigente as novas tarifas de 13,76%, decorrentes de recomposição prevista em contrato devido aos reajustes extraordinários de energia elétrica, e 4,53% referente à variação anual acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O reajuste foi autorizado pela Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Ares-PCJ) por meio da resolução nº 261/2018.

Valor da conta de água assustou moradores em Santa Rita do Passa Quatro — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTVValor da conta de água assustou moradores em Santa Rita do Passa Quatro — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

Valor da conta de água assustou moradores em Santa Rita do Passa Quatro — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

A advogada Rosana Andrade disse que até dezembro do ano passado pagava em média R$ 40, mas em janeiro deste ano o valor subiu para R$ 111.

Segundo ela, o consumo foi menor porque a família viajou no fim do ano e não havia ninguém em casa. “Liguei na Comasa e alegaram que é vazamento, mas o encanamento é novo”, disse a advogada que mora no Jardim do Lago.

A comerciante Maria Marta Otaviano, de 66 anos, também afirmou que não aumentou o consumo em casa, mas recebeu a conta mais cara. Em dezembro pagou R$ 66, já a de janeiro veio R$ 103.

“Somos apenas duas pessoas em casa, trabalhamos fora, saímos de manhã e voltamos à noite. Eles alegam que tem vazamento, mas não tem. É complicado, já pago aluguel alto, luz e outras contas”, disse a morada da Vila Norte.

Moradores usaram as redes sociais para reclamar da situação — Foto: Reprodução/EPTVMoradores usaram as redes sociais para reclamar da situação — Foto: Reprodução/EPTV

Moradores usaram as redes sociais para reclamar da situação — Foto: Reprodução/EPTV

A babá Jaine Elesbão Froes mora no mesmo bairro e também teve problemas. A conta que pagava em média R$ 45 até novembro subiu para R$ 93 em dezembro e R$ 110 em janeiro deste ano.

“Tem cinco pessoas em casa, mas economizamos. O consumo de água não aumentou. Reclamei, alegam vazamento, mas em casa não tem isso. Não tem condições, é muita conta para pagar”, disse.

Já a aposentada Maria Aparecida Beltrame Correia da Silva, que mora no Jardim Boa Vista 3, disse que pagava R$ 45. Após a troca do hidrômetro em 2017, o valor subiu um pouco, mas nada fora do normal. A última conta, entretanto, chegou com o valor de R$ 150.

“Eu acho um absurdo, a gente vive de salário mínimo. Moram quatro pessoas em casa, não aumentamos o consumo e também não há vazamentos. É preciso rever isso”, disse.

Casal levou um susto ao receber a conta com o novo valor — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTVCasal levou um susto ao receber a conta com o novo valor — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

Casal levou um susto ao receber a conta com o novo valor — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

A conta do operador de empilhadeira Anderson Elias Felisbino e da doméstica Maria Madalena Rodrigues Felisbino passou de R$ 81,32 para R$ 388,58.

“A gente trabalha a semana inteira. Nos fins de semana, eu vou para a casa da minha mãe, a gente fica por lá. É raro ter pessoas em casa”, disse Maria.

O comerciante André Ferronato é proprietário de uma padaria. Segundo ele, vai ser preciso repassar ao valor do custo aos consumidores.

Para ele, a qualidade do serviço não acompanha o reajuste. “É muito aumento por um serviço que é mau prestado. É o cheiro na água, a falta, e o preso sobe”, disse.

Comerciante acredita que vai ter que repassar valores dos custos — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTVComerciante acredita que vai ter que repassar valores dos custos — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

Comerciante acredita que vai ter que repassar valores dos custos — Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

Segundo a Comasa, os índices foram autorizados após parecer favorável da ARES-PCJ uma vez que a companhia de Santa Rita comprovou o cumprimento dos investimentos R$ 7 milhões e das metas contratuais previstas.

A Companhia Água de Santa Rita ressaltou que tanto a recomposição tarifária devido aos reajustes de energia elétrica, quanto o reajuste por meio da aplicação da variação do IPCA são necessários para garantir o equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão e, consequentemente, a viabilização da execução das metas e prazos de investimentos pactuados com o poder concedente.

A Comasa disse ainda que não houve falta de abastecimento na região e quando ocorre alguma manutenção os moradores são avisados, até com a ajuda de carro de som.

Quanto ao cheiro forte relatado pelo comerciante, disse que até o momento não teve nenhum registro. A produção da EPTV, afiliada da TV Globo, questionou a Comasa sobre a sujeira na água.

A companhia informou que mantém um rígido controle de qualidade da água distribuída e que monitora todo o sistema de abastecimento com a realização de várias análises durante todo o dia, conforme relatórios da Vigilância Sanitária anexos. Isso garante que a água distribuída chega até o cavalete dos imóveis dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde.

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