Casal é preso vendendo falsos apartamentos de programa social em BH

Suspeitos se passavam por funcionários da Companhia Urbanizadora e de Habilitação de Belo Horizonte (Urbel) e fizeram, pelo menos, 20 vítimas

Duas pessoas foram presas na tarde desta quarta-feira (4) acusadas de se passarem por funcionários da Companhia Urbanizadora e de Habilitação de Belo Horizonte (Urbel) para venderem falsos apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida de forma facilitada. A dupla fez pelo menos 20 vítimas nas últimas semanas e prometia entregar os imóveis no prazo máximo de 30 dias por uma entrada de R$ 10 mil.

Um homem de 40 anos, e uma mulher, de 41, foram presos em flagrante em um cartório na região Central de BH enquanto assinavam os falsos contratos com três vítimas. Ao passar o dinheiro para a dupla, uma das vítimas ficou desconfiada, notou que eles haviam ficado nervosos e chamou policiais militares que passavam pelo local para verificarem a situação. 

Essa já é a quinta vez que homem é preso por realizar o mesmo tipo de crime. Segundo a polícia, ele saiu da prisão há apenas três meses. Na ação criminosa, a mulher era encarregada de aliciar as vítimas, buscando pessoas em potencial para fazer os contratos enquanto o homem se passava por diretor da Urbel, apresentando um falso crachá para ludibriar as vítimas. 

“Ela marcava uma reunião com o suposto diretor da Urbel, em lugares diversos. Ele confessou que não trabalhava lá, que havia falsificado o documento. A princípio, o que ele prometia, é que passaria o nome das vítimas na frente das demais que estivessem na fila do processo com o sinal de R$ 10 mil. Apreendemos com eles 17 contratos, alguns até com o símbolo de pago já, mas ainda não localizamos essas vítimas. Elas só são vítimas, mas agiram um pouco de má fé porque aproveitaram a oportunidade para passar na frente das outras pessoas, mas a conduta delas não é ilícita”, disse o sargento Raul Sampaio, do 1° Batalhão da Polícia Militar.

Uma das vítimas, uma cabeleireira que pediu para não ser identificada, contou que aceitou a proposta após uma amiga indicar os serviços do casal. A amiga, que assinaria o contrato na tarde desta quarta-feira, também não sabia de nada. Segundo a mulher, eles primeiro se encontraram no shopping Estação, mesmo após os pedidos das vítimas para que se encontrassem em um escritório da Urbel. 

“Nos encontramos para checar tudo e passarmos os documentos. Pedi pra eles a comprovação de que eles eram da Urbel. Ele me mandou a foto do crachá e eu acreditei. Mas hoje, quando fomos assinar, na hora que passei o dinheiro, eles ficaram nervosos. Eu cheguei a passar o dinheiro na hora, mas eles ficaram nervosos e eu fui e chamei os policiais que estavam passando ali. Estou indo embora sem o apartamento, vou continuar pagando o aluguel, mas não perdi meu dinheiro pelo menos”, afirmou a mulher. 

Duas das vítimas eram um casal de namorados, que são comerciantes e planejavam adquirir o apartamento para se casarem. Foi a amiga cabeleireira, que também foi vítima, que indicou a facilitação. “Nós desconfiamos, mas acreditamos depois das comprovações dele. Nós confiamos porque vinha de indicação de conhecidos da nossa amiga, então para nós estava tudo certo. É ruim porque isso só faz com que a gente não acredite e não confie mais no ser humano. Tentar dinheiro fácil de gente honesta, trabalhadora e que sonha ter uma casa própria é um absurdo”, afirmou o comerciante. 

O casal foi levado para a Deplan da rua Pouso Alegre, no bairro Floresta, e devem ser encaminhados ao sistema prisional ainda nesta quarta-feira.